A VIA-CRUCIS DOS QUE QUEREM CONTINUAR ACREDITANDO


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Aos leitores que vieram aqui à procura de um texto que celebrasse o maior dos esportes, imploro perdão – hoje não há crônica alguma, amigos, nem há celebração.

Há apenas uma súplica. Um pedido desesperado aos homens de boa vontade, que ainda enxergam no Futebol o escape de quase todas as angústias, o manicômio comum no qual todos nós insistimos em viver.

Eis o pedido, amigos: não desistam do Futebol.

Falo especialmente àqueles que testemunharam o crime hediondo trazido à tona pelos lábios em movimento de Júlio Baptista, que vociferou claramente para um jogador adversário – quando o seu time, o Cruzeiro, já coroado campeão, perdia um improvável duelo contra o Vasco por dois a zero – as torpes palavras onde se esconde a covardia: “Faz logo outro aí, porra. Faz logo”.

Era o coice estúpido da verdade rasgando o peito de 190 milhões de torcedores: o Futebol é menos acaso do que nos parece.

Num único lance, mais violento que o atentado de Márcio Nunes contra os joelhos de Zico, todos nós vimos o Futebol ir ao chão enquanto os juízes, parasitas da tristeza, abriam contagem. Era a prova cabal de que o esporte bretão é um negócio como qualquer outro – mais um produto ordinário numa sórdida gôndola de ofertas.

Ainda assim, amigos, reitero meu pedido: não desistam do Futebol.

Mesmo que nada apague da nossa memória as palavras vistas na boca do cruzeirense que brama por bom senso, nós venceremos essa partida. Viraremos esse jogo como já viramos tantos outros.

Portanto, não percam a fé. O Futebol é tudo o que nós – 190 milhões de nós – temos para ataviar nossas vidas.

Sem ele, o que seria dos domingos ou das conversas de segunda-feira? Qual seria o papo nos botecos? Quais seriam as camisas expostas nos varais como troféus na quarta-feira, depois de três dias coladas no corpo orgulhoso? Falaríamos de quê nos coletivos a caminho da labuta, amigos?

Pensem nisso quando a ideia de lançar mão do nosso esporte preferido lhes acometer.

E às crianças peraltas, que correm por um campinho onde as traves são demarcadas com sandálias Havaianas, deixo igualmente o meu apelo: peço que também não desistam.

Vocês, afáveis peladeiros das canchas sem linha, são o futuro da nossa torcida. São esses seus frágeis pulmõezinhos, que hoje aspiram areia e terra seca, que vão berrar pelo escrete brasileiro nas Copas futuras, quando já nenhum de nós estiver por aqui.

Portanto, amiguinhos, eu só peço um pouquinho de fé – só peço que continuem acreditando no Futebol.

Foto: Washington Alves / Vipcomm

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3 comentários sobre “A VIA-CRUCIS DOS QUE QUEREM CONTINUAR ACREDITANDO

  1. Que texto magnífico, seu apelo acendeu a chama quase apagada dentro de cada torcedor apaixonado pelo futebol e que teima em acreditar que nossos times, principalmente os menos favorecidos possam de fato chegar lá por méritos técnicos e de forma ética.

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