A PALIDEZ QUE NOS CONSOME


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Todo clube de Futebol defende, antes e acima de tudo, suas cores. Cada qual é dono de duas ou três, pelas quais jura matar e morrer. Nesse compromisso honroso, o Atlético-PR adotou o vermelho e o preto. Não só uma cor nem a outra, mas a matiz terrível que brota do encontro entre as duas.

Mas ontem, meus amigos, o Atlético-PR foi a pura e cândida ausência de cor. Ontem, o escrete atleticano viajou a 2 mil quilômetros de distância e outros 3 e meio de altitude para defender, pasmem, o branco.

Sim, o branco.

Ali, em La Paz, quando o clube já não teria os gritos incansáveis da sua torcida, quando estava abandonado até pelo próprio fôlego do seu onze, bem ali, longe de casa, o Atlético-PR resolveu abrir mão também das suas cores, descendo à batalha com a pureza de uma noiva.

Um distraído que ligasse a televisão já pensaria ver um jogo do Santos, ou do Corinthians Paulista numa jornada de shorts claros, ou ainda do combinado dos médicos e dentistas do Bigorrilho. Tudo, menos um jogo do rubro-negro.

Sei que esse é o segundo uniforme do time. Sei também que o desenho é lícito e está cravado no estatuto do clube. Mas esta mesma camisa de viagem, a número dois, já teve mais cor em confecções passadas.

Nunca o vermelho e o preto foram tão ignorados assim.

Olhe de novo, meu amigo. Volte a ver a camisa do seu time e me diga se as duas cores que o definem não foram renegadas a um detalhe na gola e outro na ribana da manga. Note como só o que sobra ali, ilhado naquele canvas branco, é o escudo do clube. Fora ele, mais nada naquele conjunto pertence ao Atlético do Paraná. E isso, meus amigos, é um medonho golpe contra as tradições. É uma afronta ao código de honra que rege o Futebol.

E foi assim, irreconhecível, que o Atlético-PR entrou em campo ontem, espelho insosso do seu segundo uniforme, sem o brio que aquela camisa listrada, sangrando de tanto vermelho, costuma emprestar aos seus jogadores. Sem imprimir no adversário o pavor prévio, que brota na boca do estômago assim que ele sobe as escadas do vestiário e nota, do outro lado do campo, a camisa rubro-negra.

O Atlético-PR, ontem, foi derrotado por uma matiz.

Disse adeus à Libertadores por sonegar o que tem de mais precioso: o vermelho e o negro, como nos diria Stendhal.

Foto: Reuters

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7 comentários sobre “A PALIDEZ QUE NOS CONSOME

    • Grande Mariel. Obrigado pelo carinho, mais uma vez.

      Os cartolas por trás do Atlético-PR estão cada dia mais selados pelo orgulho e vaidade. Agora, enquanto escrevo, acabam de divulgar o afastamento do Manoel, um beque singular, por indisciplina. Um pecado absoluto.

      Não se pode fazer mais sucesso no Atlético-PR do que o Petraglia.

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