O RENEGADO METAL DO FUTEBOL

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O Futebol tem na bola a sua majestade. Nos estádios, sua corte. Na torcida, os seus súditos. Mas o Futebol tem também seus elementos menos nobres. Aqueles que são quase sempre renegados ao anonimato. E um deles, precisamente, pede nosso respeito pela responsabilidade que carrega. Falo da moeda, esse frio e indiferente numerário que ignora sua própria modéstia para definir, sem dó, o primeiro vencedor. Sim, antes ainda de os duques cortejarem a realeza, a moeda – esse vil metal – já coroou seu primogênito.

E o que agrava o quadro da ironia é que tudo é sagazmente esquadrinhado pelo acaso. A vitória provem de um barato cara ou coroa, saltando das mãos ainda imaculadas do árbitro titular.

É uma coreografia livre, sem ensaios, sem empate, sem critério. É a moeda e a Lei de Newton. Mais ninguém.

Essa inaugural conquista, sob um olhar inocente, significa pouco para um esquadrão: ganha-se a posse do couro ou escolhe-se a metade predileta do campo. O que, devo convir, torna-se ainda mais lastimável quando percebe-se que 45 minutos depois virá, sem guarida, o fulminante empate – será preciso ceder a bola ou o lado mais querido do campo ao antagonista.

Mas ainda assim, mesmo sendo essa vitória irreversivelmente efêmera, o clube agraciado pela prata terá levantado o primeiro troféu do embate. E isso, meus amigos, ao contrário do pobre tostão que será recolhido ao bolso, tem um valor inestimável.

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