O INIMIGO QUE CONSOLA

Screen shot 2013-12-09 at 2h45m00 AM

No Futebol, como na vida, a dor é mais frequente que o riso.

Vejamos, como caráter de amostra, o Campeonato Brasileiro: todo ano, há um único e imaculado campeão enquanto existem outros quatros clubes sendo empurrados para o Hades.

É a implacável matemática da bola: para cada estádio em transe ao cabo de uma temporada, amigos, há outros quatro campos em aflição.

E há um agravante: este choro doído que ocupa 1/5 das arquibancadas de elite do Brasil não esmorece tão cedo, como as derrotas. O rebaixamento é uma desonra quase definitiva, que marca a pele com ferrete em brasa como se fôssemos não torcedores, mas animais de carga.

A queda, meus amigos, é o perfeito avesso do título. Um achincalhar aviltante e infinito, que açoita os torcedores muito mais que os jogadores em campo, já que estes são alados e têm a carta de alforria para assinar com clubes em situações mais aprazíveis. Mas o torcedor, o pobre e desesperado torcedor, está amarrado ao clube, embriagado de um inefável amor. Ele nada pode fazer. Aliás, o que se podia fazer o infeliz já fez: empenhou o seu pulmão, berrou desesperado, orou em segredo, comprou camisas e vendeu a alma. A ele, nada mais resta senão sofrer a humilhação de padecer no subsolo do Futebol.

Mas há um alento, meus amigos. Nada que acabe com a dor, mas algo que simplesmente conforta: ver cair também o seu maior rival, ali, juntinho, no mesmo ano, na mesma rodada, no mesmo suspiro.

Foi esse abrandamento de pena que os torcedores de Vasco da Gama e Fluminense experimentaram hoje. Foi uma queda em conluio, como descer até o inferno e perceber que lá também está o seu ferrenho desigual, o maior dos seus ofendedores.

Nada que suprima o sofrimento – é apenas algo que aplaca o desespero.

E assim, amigos, na Série B do Campeonato Brasileiro de 2014, vascaínos e tricolores experimentarão, invariavelmente, os sórdidos risos de sarcasmo de flamenguistas e botafoguenses, as gozações implacáveis dos rivais Brasil afora, a dor ferrenha de usar o magistral Maracanã numa rodada para, na outra, cair nos buracos do Romeirão.

Mas uma coisa, meus amigos, nenhum deles vai ter de aturar: o jocoso gargalhar um do outro.

Serão comparsas por uma vez na vida.

E assim, marcharão juntos, cruzmaltinos e tricolores, corporificando numa romaria fúnebre o sepultamento da alegria.

Anúncios
Padrão

O BERRO ESCRITO NUM CARTAZ

Image

É dentro das quatro paredes de cal de um campo que são contados os maiores feitos do Futebol. Mas é perto dali, nas arquibancadas que acomodam o infatigável povão, que acontece o transcendental.

E foi isso, meus amigos, o que nós vivemos hoje no Maracanã.

Vamos ao contexto.

O Fluminense recebia o São Paulo à procura de um sopro de fôlego na disputa contra a Série B, travada num improvável clássico contra o Vasco da Gama.

Logo na aurora do jogo, uma menina, que não deve ter vivido ainda 8 anos, conquistava a atenção dos populares: ela usava um cartaz feito à mão, com letras inegavelmente infantis, para levar um apelo ao arqueiro tricolor: “Diego Cavalieri, seja meu Papai Noel. Me dá sua camisa”.

A poucos metros dali, no campo, o São Paulo, indiferente a tudo, abria o placar. E o desespero que recaía sobre todo pó de arroz no Maracanã também visitava a daminha. Acontece que a aflição dela era diferente, amigos. Dentro daquele coraçãozinho frágil cabia apenas o sobressalto breve, inocente, de quem sabe que a virada chega logo, como chegarão os trens da Linha 4.

E como toda virada começa com um empate, Nelson Rodrigues trouxe seu Sobrenatural de Almeida para marcar a favor do tricolor, depois de a bola ricochetear duas vezes na trave paulista.

Mas o tempo corria irremediavelmente e o empate não era o bastante. O jogo já conhecia seu segundo tempo e o Fluminense não varava o cerco armado por Muricy Ramalho. A essa altura, com o ponteiro maior perto da conhecer a última volta, o Maracanã era soluços de desespero e angústia. Mas não ela, meus amigos. Não a nossa torcedora. Ela era dócil como nenhum fã sabe ser. Ela só esperava. Ela e seu indefectível cartaz.

Até que o acaso, cansado de segurar a euforia carioca, deu aval e permitiu que Gum cabeceasse contra o gol de Denis e corrompesse a arquibancada com êxtase. Nascia o gol da virada, da vitória certeira, da possibilidade real de permanecer na Série A para o ano da graça da Copa da Mundo de 2014.

Nesse momento, quem olhava para a torcida via sorrisos, via bandeiras, via lágrimas. Mas só quem olhava para a menina via a alma exposta do Futebol. Só aquela criança conduzia a graça suprema de saber esperar.

Em vez de pulos e danças, a menina mantinha o cartaz elevado como fosse a última muralha da sua fortaleza, esperando que, entre tantos abraços acalorados dos companheiros, entre tantos microfones desesperados, entre todos os flashes que cegam, Cavalieri olhasse exatamente para ela.

E ele olhou, meus amigos. Ele olhou.

E veio em sua direção para, sem demora, puxar aquela donzela para dentro do campo, como que querendo que ela experimentasse o terreno sagrado do nosso Futebol. Mas engana-se quem pensa que a menina tocou a grama com seus pés – ela é imaculada demais para isso. O guardião do Flu a manteve o tempo todo apertada contra seu próprio peito ofegante, num abraço confidente, com mais vida do que qualquer outro cumprimento trocado entre os 11 vencedores do embate.

A menina foi arrebatada, caros leitores. O retrato mais apurado da inocência experimentava exatamente os mesmos braços que vivem de guardar a cidadela do Fluminense.

Ela fechou os olhos como se caísse no colo do pai depois de uma demorada colônia de férias no Irajá.

E por um instante, o estádio inteiro se esqueceu da posição do escrete na tabela, dos problemas que o clube coleciona com o patrocinador, da volta de Dario Conca – o Maracanã estava todo ali, no meio daquele abraço.

O arqueiro tricolor, então, devolveu a garota à arquibancada, já com a camisa 12 nas mãos, virou as costas e marchou para o vestiário, pensando provavelmente que o futebol não é aquilo que ele faz dentro do campo, mas aquilo que o povo vive fora dele.

E eu gosto de imaginar que a nossa heroína anônima marchou para o outro lado com seu pai, agarrada àquela camisa como torcedores se agarram à matemática para continuar sonhando.

Nenhum outro arqueiro vai conseguir proporcionar a qualquer torcedor a mesma euforia. Porque o que ela acabou de ganhar, meus amigos, não foi uma camisa – foi o maior troféu do Futebol.

Padrão

A REENCARNAÇÃO DA VELHA BAIXADA

velha_baixada_mais_votada

Parem as máquinas, meus amigos.

Cessem o que quer que estejam fazendo, porque trago uma notícia lúgubre para compartilhar com os senhores: fomos todos irremediavelmente enganados pelo ardiloso Clube Atlético Paranaense.

Sim, meus caros, somos frágeis vítimas de uma contravenção perfeitamente legal.

Falo da escolha do estádio temporário em que o Atlético escolheu mandar seus jogos enquanto sua Arena recebe um banho de prata para a Copa do Mundo de 2014.

Enquanto todos os clubes que cederam suas praças à Fifa e seus confrades indicaram, inocentes feito crianças, campos neutros para mandar seus jogos, o Furacão escolheu a perniciosa reencarnação daquele que foi o seu estádio por toda a vida: a inóspita Velha Baixada.

Sim, meus amigos: o Estádio Durival Britto e Silva, alcunhado de Vila Capanema, é o parasita ideal para receber uma alma antiga, que o futebol brasileiro pensava estar soterrada pela memória pobre de todos nós.

Sobre aquele campo cansado do Paraná Clube paira a pesada atmosfera do antigo Caldeirão.

Olhem bem. Mirem com cuidado, meus amigos. Está tudo lá.

Os alambrados frágeis são os mesmos que um dia cederam ao peso da comemoração incontida de Oséas e Paulo Rink, depois de um Atletiba incontestável em 1995. As arquibancadas frias, tal qual as tubulares de antigamente, oscilam ao sabor dos cânticos fervorosos da massa atleticana. A proximidade entre a torcida inflamada e os jogadores em campo é a mesma, como que medida com régua, oprimindo especialmente os laterais e pontas adversários, que jogam sob o medo terrível de ter suas camisas arrancadas pelos arquibaldos desse opressivo campo de batalha.

Tudo ali lembra à perfeição o saudoso Joaquim Américo.

E assim, numa manobra oculta, o Atlético-PR tem jogado confortavelmente em casa, empurrado pelo pulso ostensivo de um estádio que jamais vai morrer, mesmo tendo sido posto ao chão 15 anos atrás. E o mais engenhoso capítulo do golpe dos sulistas é este: deixar o país todo pensar que o time está saudoso de sua cancha própria. “Vamos pegar o Atlético Paranaense em campo neutro. Dá pra ganhar”, pensam os desavisados adversários, enquanto a metade vermelha de Curitiba não desmente, apenas sorri afavelmente e concorda com a cabeça, num gesto mais falso que a notícia de um novo Pelé.

Com essa reencarnação vil – que já é terrível no longo Campeonato Brasileiro e torna-se implacável na curtíssima Copa do Brasil, onde jogar numa casa despótica beneficia largamente o mandante – o Furacão vem prevalecendo arbitrariamente sobre incontáveis times.

Resta, agora, passar por um último adversário para, enfim, arrastar para o Joaquim Américo a taça inédita da Copa do Brasil.

Acontece que o combatente de agora não está carente de um estádio, como o Palmeiras das oitavas ou o Internacional das quartas. Antes, está vivendo os primeiros e melhores dias do reencontro com a velha casa, que calha ser o mais místico teatro do Futebol. Um hostil terreno com quem o mandante do derradeiro jogo mantém uma tórrida relação de paixão e êxtase.

Nesse duelo emblemático de rubro-negros, o Flamengo – de Jayme e não de Mano – tem a árdua tarefa de sair incólume do alçapão atleticano.

E no jogo de volta, o Maracanã ocupa o papel de última fortaleza – é o único contraveneno capaz de frear a turbulência que a reencarnação da Velha Baixada faz ressoar pelo país.

Foto: Fernando Freire/Globoesporte.com

Padrão

O CAMPEÃO AÇOITADO

Image

Ao longo dos muitos anos de Futebol, as divindades que escolhem quem ganha e quem perde foram desenvolvendo uma avassaladora simpatia por alguns clubes, cobrindo suas trajetórias de voltas olímpicas e salpicando seus escudos de estrelas.

Na mesma medida, com inapelável força contrária, essas mesmas autoridades divinas foram criando uma terrível e sonora antipatia por outros times, que acabaram expatriados a um Hades onde o sorriso é punido com açoites e a fuga é um mero delírio.

Foi aqui, desse lado do campo onde a grama não cresce, que viveu por muitos anos o Atlético Mineiro. Foram dias da mais absoluta desgraça futebolística: rebaixamento, goleadas vexatórias sofridas para o maior dos rivais e a dura vida de mero coadjuvante. Mas mais do que prover uma seca improvável na Cidade do Galo, os roteiristas do Futebol ainda deram linha aos sonhos do Cruzeiro, escrevendo uma das mais injustas e desequilibradas brigas do ludopédio nacional.

A Raposa reinou absoluta em Minas Gerais – e, por vezes, no Brasil – enquanto o Galo, feito galinha, se acostumou com a vista do chão, ciscando de crista baixa até em disputas de futebol de botão.

Mas até as maiores desgraças encontram parede forte na mesmice. E de tão cansados com o filme que escreviam, os roteiristas da bola decidiram mudar o disco.

Aquele mesmo gargalhar genuíno que mora nos lábios dos campeões estava fadado a voltar às bocas dos alvinegros.

E o primeiro passo do Atlético Mineiro rumo à fábula dos grandes feitos começou a ser dado quando o engenhoso Alexandre Kalil sacou Ronaldinho Gaúcho das asas do urubu.

Bastou o craque dos dentes tortos e de espírito errante vestir a camisa que tem as cores de um filme de Godard para os dados da sorte, que sempre caíram com a cara para o chão, sofrerem um inexorável ipon – o acaso havia aceitado a vitória do Galo.

Assim, capitaneado por Cuca – um técnico que até então, é importante lembrar, tinha menos estrela que o brasão do Botafogo – o Galo foi desbravar a América. E por toda a primeira fase da competição continental, sobrou em campo.

Mas bastou as figuras que determinam o destino perceberem que Ronaldinho se divertia em campo, punindo a todos com os chicotes do seu sorriso, que eles logos cravejaram de espinhos o caminho atleticano: das oitavas em diante a bonança deu lugar à tormenta. E até os mais indiferentes torcedores passaram a dar cabo às unhas, no desespero que faz a boca morder o que está mais à mão.

O sofrimento, esse moto-contínuo na vida do atleticano, encontrou ápice nas quartas-de-final, contra o Tijuana, quando Leonardo Silva golpeou Moreno na área. O árbitro – que feito Nelson Rodrigues tem um fraco por tragédias – apontou para a marca da cal.

Eram 46’ do segundo tempo e o gol tiraria o Galo do certame.

Acontece que o corvo da sorte repousava sobre os ombros de Victor. E, na hora da cobrança, mesmo tendo saltado a esmo, o arqueiro esqueceu de levar consigo o pé esquerdo, que brecou o couro no meio do gol.

Num êxtase uníssono, o Atlético comprava uma vaga na semifinal da maior competição do continente. E canonizava Victor como o santo-mor do Estados das Minas Gerais.

Os últimos quatro jogos dessa odisseia não seriam menos sofridos. Mas vou poupar você, leitor, dos pormenores. Todos sabemos como as divindades execraram o torcedor do Galo antes de entregar aquilo que estava combinado com o acaso.

O fato é que sob gritos de pavor e incontáveis sobressaltos, a taça de Campeão das Américas veio fazer temporada no Brasil.

Acontece que a flamejante zombaria de quem controla a sorte ainda estava por vir. Os roteiristas do esporte bretão esperaram a massa atleticana virar as costas, estudando distraidamente os melhores pacotes turísticos para o Marrocos, para beliscar seus calcanhares e entregar de mão beijada, sem a menor cerimônia, uma taça de Campeão Brasileiro para o Cruzeiro.

Ainda faltam 7 rodadas, é verdade. Mas não se iluda, atleticano: faz parte do plano vil dos controladores do Futebol flagelar o peito daqueles que se dobram diante desse esporte.

Os escritores da bola querem que, lá na frente, o torcedor do Galo olhe para trás e lembre de 2013 com incomensurável carinho. Mas não sem antes pensar que do outro lado da cidade também sorri satisfeito um cruzeirense.

Essa, meus amigos, é a cruel ironia dos roteiristas do Futebol.

Foto: turmadochapeu.com.br

Padrão

O SOLUÇO IMPROVÁVEL

keirrison_mais_lido

Quando começou nesse cáustico terreno da bola, Keirrison era só mais um nome cuja origem os torcedores indagavam.

Mas a simplicidade com que o menino concluía ao gol encarregou de apresentá-lo aos geraldinos do Couto Pereira. Em poucas rodadas, o antes estranho sujeito já ocupava o refrão de músicas entoadas pelo povão, obrigando os compositores de arquibancada a estabelecer rimas impensadas.

Mas como não existe começo fácil para quem vive de Futebol, os roteiristas desse grande teatro da bola trataram de punir o menino com a mais grave lesão presente na apostila médica: o rompimento completo dos ligamentos do joelho.

Foram sete meses de molho até o avante vencer as muletas e reestabelecer o caso sórdido de amor que mantinha com os gols.

A fama correu o Brasil e Keirrison logo trocou de verde. Do Couto Pereira para o Parque Antarctica. E foi protagonista da melhor estreia de um atacante em toda a história do Palestra: dezesseis gols em quatorze jogos.

A fama, agora, corria o mundo. E Keirrison era do Barcelona. Mas nem chegou a vestir a azul-grená e foi peremptoriamente emprestado ao Benfica.

E foi lá, na terra de José Saramago, que começou a cólera desse Homem Duplicado.

Keirrison passou a ser outro Keirrison. Um que desconhecia toda e qualquer habilidade para o Futebol. Em sete jogos à beira do Tejo, nenhum gol.

Foi para a Fiorentina. Nada também. Doze jogos, dois gols – pouco para uma torcida que se habituou com Batistuta.

Feito um Tertuliano Máximo Afonso, personagem-mor da obra de Saramago, Keirrison procurava em vão pelo seu próprio eu.

Tentou no Brasil, vestindo a camisa do Santos. E nada.

Depois, no Cruzeiro. Nada de novo.

Na Toca da Raposa, conseguiu apenas o improvável: uma reincidente, cruel e hedionda lesão nos ligamentos daquele mesmo joelho débil – Keirrison via fechar diante de si a cortina do Futebol.

Como o filho pródigo, ele procurou abrigo na casa do pai. Era o último gesto antes de um adeus precoce.

De volta ao Coxa, enfim, o camisa 9 flertava com o retorno aos campos. Foi quando, num lance inocente, quase estúpido de treino com bola, o sórdido pássaro da infelicidade aproveitou a distração do jogador para ceifar, mais uma vez, seus mesmos ligamentos.

Abria-se diante de Keirrison o cadafalso – numa medida covarde e unilateral, o Futebol rompia seu contrato com ele.

Mas acontece que os sagazes roteiristas da bola têm também, escondido em algum lugar, uma pequena dose de bom ânimo. E resolveram munir o garoto de nova oportunidade.

Três lesões idênticas depois, Keirrison voltou.

Fez algumas partidas duvidáveis pelo Coritiba mas, confirmando a ingratidão do filho pródigo, guardou o veneno para usar contra o Cruzeiro, em jogo válido pela 30ª rodada do Brasileirão 2013.

O placar apontava uma igualdade salomônica de um tento a um quando, aos 29 minutos do segundo tempo, o mirrado artilheiro lançou a testa contra a bola e viu, pela primeira vez em longos dois anos, o barbante estufar. O som do povão levantando do concreto do Alto da Glória foi a trilha de uma volta impensada, de uma revanche merecida.

O avante foi marchando até a ferradura de entrada do estádio para sentir o calor dos populares. Tirou a camisa, bateu no peito e fitou demoradamente aqueles milhares de néscios que ocupavam o concreto, pensando se aquilo tudo era mesmo fato consumado.

Aquele êxtase completo e absoluto que pairava sobre o Alto da Glória teria mesmo sido desenhado por ele? Seus joelhos débeis haviam deixado com que ele voltasse a protagonizar o momento maior do Futebol?

Sim, meu amigos. Sim.

Keirrison devolveu o sorriso à sua torcida. Mas mais do que isso, caros leitores, o menino de nome estranho estampou na sua própria cara o indefectível sorriso da vingança.

Ali, aos pés dos arquibaldos que faziam papel do pai que abre a casa ao filho perdido, Keirrison se entregou aos soluços que precedem o pranto. Inundou seus olhos da doce lágrima de quem se habituou à amargura.

Era a lágrima do combatente que se levanta da pugna, atravessa iracundo o campo de batalha e golpeia o peito da ironia.

Keirrison venceu.

*Foto Felipe Rosa/ Tribuna/Gazeta do Povo

Padrão