O CLUBE QUE VESTE VERDE-BANDEIRA

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Há já muito tempo que não se respeita o futebol no Brasil. Num pacto silencioso, todos nós já concordamos com isso. Demos aval a esse escárnio quando passamos a tolerar as infames dancinhas dos artilheiros, as chuteiras coloridas dos boleiros, a ganância desmedida dos cartolas.

Mas hoje a altiveza ultrapassou a já recuada barreira que nós, meros torcedores, montamos. Foi quando o onze do Grêmio de Foot-Ball Porto Alegrense ignorou sumariamente a bandeira do Brasil e se eximiu da execução do nosso hino nacional no Serra Dourada.

Se perguntarmos ao comandante gremista o que motivou tamanho atraso na subida do túnel, ele deve se esquivar culpando uma recomendação técnica mais extensa ou os bravejos de uma palestra motivacional mais atrasada que um zagueiro fora de forma. Mas nada disso justifica a descortesia dele para com o Ouvirundum.

Mas eis que nós, meros espectadores de todo esse circo, temos do nosso lado aquele vil déspota que só dá as caras quando convém – a sorte. Com sussurros ardis, ela convenceu o Futebol, o súdito-mor da nossa República, a cobrar alto preço do esquadrão gaúcho.

Hoje, assim como a bola, a bandeira também resolveu punir.

E um crime de lesa-pátria, como este, pede um herói ufanista, como Walter, o circunspecto esmeraldino. Foi ele o algoz que corrigiu em rede nacional a indiferença de Renato e seus subordinados. Com dois tentos memoráveis, o craque que desafia a balança mostrou o que acontece quando se desrespeita o hino do Brasil diante de um clube que veste verde-bandeira.

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