HOMEM NA MACA

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Jaírton Nique é uma dessas figuras anônimas do futebol. Um sujeito que não se sabe ao certo de onde vem e muito menos para onde vai. Mas o fato é que esse correto irmão, que logo será esquecido, ontem lembrou o país inteiro do valor que tem o futebol.

Ontem era dia de Coritiba vs Vasco. Era também Dia dos Pais. E para celebrar o domingo, a esposa e a filha do nosso efêmero herói o presentearam com uma entrada para o jogo que reviveria a final da Copa do Brasil de 2011. Mesmo deitado numa cama de hospital, com severas restrições médicas, Jaírton, que vive em Guaratuba, no litoral paranaense, desafiou o próprio quadro clínico para subir a serra das araucárias e percorrer mais de 130 quilômetros rumo ao Alto da Glória – o time do seu coração ia jogar.

Assim, amarrado àquele leito magro, Jaírton entrou no estádio Major Antônio Couto Pereira momentos antes do início do embate. E os torcedores que o seguiram, por certo, sentiram estremecer o seu amor pelo clube. Até o mais fervoroso coxa-branca questionou – será que eu viria?

Mas o fato é que ele veio. E logo aos 4 minutos de jogo, enquanto ainda procurava ajeitar melhor aqueles travesseiros baixos de hospital, ele e os pouco mais de 20 mil coritibanos que ocupavam o concreto gelado do Alto da Glória foram operados sem anestesia – Pedro Ken, que outrora foi um piá do Couto, bateu com força no couro e rompeu a segura muralha de Vanderlei.

O Vasco da Gama estava na frente.

E foi assim o jogo todo, até o último apito de Leandro Vuaden. Foi uma vitória maiúscula do esquadrão vascaíno.

Mas ontem não foi o time de Juninho Pernambucano que venceu – foi o futebol. Foi a torcida brasileira. Ironicamente, exatamente quando ela mais sofria em silêncio, se vendo obrigada a esvaziar as novas super-arenas por não aguentar o pesado ritmo imposto pela ganância desmedida dos mandatários da bola.

Ontem, os nossos 190 milhões de súditos da bola puderam, enfim, acreditar num sopro de inocência.

Ainda existe amor no futebol.

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